Minas Gerais registrou um aumento expressivo nos casos de hepatite A em 2026. Entre janeiro e julho, foram contabilizadas 1.654 notificações da doença, número 250,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando houve 472 casos. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o principal fator para esse crescimento foi o surto associado às fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora em fevereiro.
Os dados também mostram que, em apenas sete meses, o estado já ultrapassou com folga o total de casos registrados durante todo o ano passado, quando 754 pessoas foram diagnosticadas com a doença.
De acordo com a SES-MG, a curva de crescimento começou logo após o período chuvoso. Em janeiro, Minas registrou 128 casos. Em fevereiro, o número subiu para 243 e atingiu o pico em março, com 451 notificações. Em abril, foram registrados 436 casos. Desde maio, os números passaram a apresentar desaceleração.
A investigação epidemiológica ainda está em andamento, mas a principal hipótese é de que o surto em Juiz de Fora tenha sido provocado pela contaminação da água durante as enchentes. O relatório final da investigação deve ser concluído entre setembro e outubro.
Juiz de Fora concentrou maior impacto
Além de intensificar a vigilância epidemiológica, a Secretaria de Estado de Saúde reforçou a vacinação dos grupos prioritários em Juiz de Fora após o aumento das notificações.
Neste ano, o município também registrou uma morte causada pela hepatite A. Em 2025, Minas Gerais contabilizou três óbitos relacionados à doença.
Mudança no perfil da doença
Embora as enchentes expliquem boa parte do aumento registrado em 2026, especialistas afirmam que a hepatite A já vinha apresentando crescimento em Minas Gerais antes desse episódio.
Segundo o infectologista Leandro Curi, a vacinação infantil, incorporada ao calendário do SUS em 2014, reduziu significativamente os casos entre crianças, mas deixou uma parcela dos adultos jovens mais suscetível à infecção por não ter sido imunizada na infância nem desenvolvido imunidade natural.
Outro fator observado nos últimos anos é o aumento de casos entre homens de 20 a 40 anos, principalmente em Belo Horizonte. Nesses casos, a transmissão está relacionada a práticas sexuais que favorecem o contato fecal-oral, embora a hepatite A não seja classificada como uma infecção sexualmente transmissível.
Como ocorre a transmissão
A hepatite A é causada por um vírus transmitido pela via fecal-oral. A infecção pode ocorrer por meio do consumo de água contaminada, alimentos mal higienizados ou contato com mãos contaminadas.
Também é possível haver transmissão durante práticas íntimas que envolvam contato fecal-oral. Além disso, pessoas infectadas podem transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas.
Sintomas e prevenção
Na maioria dos casos, a doença evolui de forma benigna e o tratamento consiste em repouso, hidratação e controle dos sintomas. Os principais sinais incluem:
- Febre;
- Mal-estar;
- Náuseas e vômitos;
- Dores no corpo;
- Urina escura;
- Pele e olhos amarelados (icterícia).
Apesar da boa evolução na maior parte dos pacientes, cerca de 1% dos casos pode evoluir para hepatite fulminante, situação que pode provocar falência aguda do fígado e exigir transplante.
A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil do Sistema Único de Saúde (SUS). Para adultos, a imunização gratuita é destinada a grupos específicos ou pode ser ampliada durante surtos, conforme avaliação das autoridades de saúde.