Foto: JF Informa
O caminho de Juiz de Fora para cumprir as metas nacionais de saneamento ainda exige novos investimentos e ampliação da estrutura existente. A cidade precisa aumentar principalmente o tratamento de esgoto, considerado o ponto mais sensível para alcançar os objetivos definidos pelo Marco Legal do Saneamento.
A legislação estabelece que, até 2033, os municípios brasileiros devem garantir atendimento com água tratada para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%. Atualmente, segundo a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), Juiz de Fora trata aproximadamente metade do esgoto produzido.
Apesar do cenário atual, a companhia afirma que a evolução já ocorreu nos últimos anos. A previsão é elevar o percentual para 75% até o fim de 2028 e alcançar 90% do esgoto tratado em relação ao volume gerado até 2033.
Município aparece entre cidades que buscam universalização
Os dados mais recentes utilizados nos rankings nacionais mostram que Juiz de Fora ainda ocupa uma posição intermediária quando comparada a outros grandes municípios brasileiros.
No Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil com informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), a cidade aparece na 59ª colocação entre os cem municípios mais populosos do país.
Em Minas Gerais, outros municípios tiveram desempenho superior no levantamento. Uberaba, Uberlândia, Montes Claros, Betim e Belo Horizonte ficaram à frente de Juiz de Fora na classificação.
Já o Ranking da Universalização do Saneamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) colocou o município na categoria “empenho para universalização” entre as cidades de grande porte. A avaliação considerou cinco áreas do saneamento e atribuiu 424,60 pontos de um total possível de 500.
O principal fator que reduziu a pontuação foi o indicador de esgoto tratado em relação à água consumida, que chegou a 24,90% em 2024.
Cesama explica diferença entre índices
A Cesama afirma que o resultado divulgado pela Abes utiliza uma metodologia diferente da comparação com o total de esgoto gerado.
Segundo a companhia, o cálculo baseado na água consumida não representa todo o volume de esgoto produzido, já que parte da água utilizada não retorna para a rede, como ocorre em atividades como irrigação de jardins.
Por isso, a empresa explica que, considerando o esgoto tratado em relação ao esgoto gerado, o índice registrado em 2024 seria superior a 31%.
A companhia destaca ainda que o percentual atual está próximo de 50% e que as ações em andamento têm como objetivo ampliar a capacidade de encaminhamento e tratamento do esgoto produzido nos bairros.
Intervenções devem ampliar estrutura
Para melhorar os índices, a Cesama concentra trabalhos na ligação das redes dos bairros aos interceptores já existentes. Dessa forma, o esgoto pode seguir um caminho separado da água da chuva até a estrutura responsável pelo tratamento.
Entre as ações citadas estão a integração dos sistemas Barreira do Triunfo e Barbosa Lage, além dos coletores São Pedro e Tapera, que possuem contratos em andamento.
Além disso, a companhia prevê iniciativas específicas para distritos e comunidades isoladas até o fim deste ano. Outra intervenção planejada é o coletor Grama, que deverá encaminhar o esgoto da região Nordeste até Barbosa Lage. A previsão indicada pela Cesama é iniciar essa obra em 2027.
Saneamento também reflete na saúde pública
O levantamento da Abes relacionou os indicadores de saneamento com registros de internações por doenças associadas ao saneamento ambiental inadequado, como diarreias, hepatite A, cólera e febre tifóide.
Em Juiz de Fora, a taxa registrada chegou a 35,35 internações por 100 mil habitantes. O número ficou acima da média das cidades classificadas no mesmo grupo de desenvolvimento do saneamento.
Além disso, a entidade aponta que municípios com menor cobertura de saneamento enfrentam maiores dificuldades diante de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes e períodos de seca.
O estudo reforça que o avanço do saneamento depende da melhoria conjunta de diferentes serviços, incluindo tratamento de esgoto, coleta de resíduos e proteção dos recursos hídricos.
Segundo a Abes, falhas nessas áreas aumentam riscos ambientais e podem afetar diretamente a saúde da população e a capacidade de resposta das cidades.