Foto: João Gabriel
A recuperação do Morro do Cristo foi um dos principais temas debatidos durante o seminário “Risco Ambiental e Políticas para a Resiliência: Por Juiz de Fora”, realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O evento ocorreu cerca de cem dias após os desastres provocados pelas fortes chuvas de fevereiro de 2026 e reuniu representantes da Prefeitura, Câmara Municipal, Ministério Público, instituições de ensino e sociedade civil.
Durante a palestra “O Desafio da Resiliência Urbana”, a consultora da GEOPHI, Anna Laura Nunes, apresentou um diagnóstico sobre a vulnerabilidade geológica do município e detalhou o projeto executivo elaborado para a recuperação e estabilização do Morro do Cristo.
Segundo os dados apresentados, aproximadamente 25% da população de Juiz de Fora vive em áreas consideradas de risco. Além disso, a ocupação urbana em encostas aumentou 2,3 vezes entre 1985 e 2024, ampliando a exposição da cidade a deslizamentos e outros movimentos de massa, especialmente em períodos de chuva intensa.
Projeto prevê contenção de blocos e obras de drenagem
De acordo com o estudo, técnicos identificaram 26 blocos rochosos e dois agrupamentos de rochas com potencial de desprendimento no Morro do Cristo. Por isso, o projeto executivo propõe uma série de intervenções para reduzir os riscos na região.
Entre as medidas previstas estão a instalação de barreiras flexíveis para conter materiais que possam se desprender da encosta, estruturas destinadas à retenção de lama e detritos, sistemas de estabilização de blocos rochosos, além de obras de drenagem e contenção na área do Mirante do Imperador.
O plano também contempla ações voltadas à recuperação de áreas impactadas pelos deslizamentos, atendimento aos moradores atingidos e preservação das características ambientais e paisagísticas do local.
Câmara destaca desafio histórico da ocupação de encostas
Durante o seminário, o presidente da Câmara Municipal, Zé Márcio-Garotinho, ressaltou que a ocupação de encostas faz parte do processo histórico de crescimento urbano da cidade e representa um dos principais desafios para o planejamento urbano.
Segundo ele, cerca de 130 mil pessoas vivem atualmente em áreas de risco distribuídas por aproximadamente 1.250 hectares. O vereador destacou que a solução exige esforços conjuntos do poder público e da sociedade.
Defesa Civil apresenta balanço das ações
Na etapa da tarde, representantes da Prefeitura apresentaram um balanço das ações realizadas desde os desastres registrados em fevereiro.
O subsecretário de Defesa Civil, Luís Fernando Martins, informou que o órgão realizou aproximadamente 9 mil atendimentos e emitiu 3.026 laudos técnicos para auxiliar famílias inscritas no programa Compra Assistida, vinculado ao Minha Casa, Minha Vida.
Segundo os dados apresentados, o programa deve direcionar cerca de R$ 600 milhões para a recomposição de moradias das famílias afetadas pelos eventos climáticos.
A vereadora Letícia Delgado também destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos públicos para garantir moradia segura às famílias atingidas e reforçou o compromisso do Legislativo com o processo de reconstrução da cidade.
Debate sobre resiliência urbana
O seminário integra uma série de discussões voltadas à reconstrução de Juiz de Fora e à preparação do município para futuros eventos climáticos extremos. O encontro reuniu representantes do poder público, especialistas, entidades técnicas, setor produtivo e moradores de áreas afetadas, com o objetivo de discutir estratégias para ampliar a resiliência urbana e reduzir os impactos de desastres socioambientais.