Foto: Marcello Casal
O Banco Central (BC) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25 de junho), a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%.
A atualização ocorreu após o desempenho da economia no primeiro trimestre deste ano. Nesse período, o PIB avançou 1,1% em comparação com o último trimestre de 2025. Além disso, os setores de agropecuária, indústria e serviços registraram expansão, o que levou o Banco Central a melhorar suas estimativas para a atividade econômica.
Demanda interna contribuiu para revisão
De acordo com o relatório, a revisão também considera uma expectativa mais favorável para a demanda interna. O Banco Central destacou o crescimento do consumo das famílias e dos investimentos realizados pelas empresas.
Além disso, a autarquia avaliou que estímulos de natureza fiscal e creditícia colaboram para o maior dinamismo econômico. Por outro lado, a perspectiva de juros mais elevados tende a reduzir parte desse impulso ao longo do período.
Selic segue em trajetória de queda
O relatório também detalha o cenário da taxa básica de juros. Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.
Posteriormente, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o processo de redução dos juros. Na reunião realizada na semana passada, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25% ao ano. Com isso, ocorreu o terceiro corte consecutivo.
Entretanto, o Banco Central ressaltou que os efeitos da guerra no Oriente Médio ainda geram incertezas para a economia brasileira. Segundo a instituição, os reflexos mais evidentes aparecem nos preços dos combustíveis e dos alimentos, mas o conflito também influencia as projeções de crescimento econômico.
Banco Central vê inflação mais alta até o fim de 2026
O relatório mostra ainda que a inflação deverá continuar pressionada até o fim deste ano. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58%. Já o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Além disso, o Banco Central projeta que a inflação permanecerá acima do limite superior da meta por mais de dois trimestres consecutivos. Depois disso, a tendência é de redução ao longo de 2027.
A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto de 4,5% em 2026 aumentou significativamente. Em março, a estimativa era de 30%. Agora, o percentual chegou a 79%.
Segundo o BC, fatores como a alta do IPCA, o aumento dos preços do petróleo e de outras commodities, além da elevação das expectativas inflacionárias, contribuíram para a revisão das projeções. Em contrapartida, a trajetória da Selic e a valorização cambial ajudaram a conter parte dessa pressão.
Crédito mantém ritmo de expansão
O Banco Central manteve em 9% a previsão de crescimento do saldo total de crédito em 2026. No entanto, houve ajustes entre as modalidades.
Enquanto a projeção para o crédito livre caiu para 7,8%, a expectativa para o crédito direcionado subiu para 10,7%. Entre os fatores considerados estão programas voltados para famílias, motoristas de aplicativos, taxistas e micro e pequenas empresas.
Apesar dessas alterações, o relatório aponta desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, o saldo do crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 10,3%, percentual inferior aos 11,5% registrados em 2024.
Déficit externo tem projeção reduzida
Nas contas externas, o Banco Central reduziu a previsão de déficit em transações correntes para 2026. A estimativa passou de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões, o equivalente a 2,1% do PIB.
A revisão ocorreu principalmente em razão da melhora do saldo comercial, impulsionada pelo aumento dos preços do petróleo. Além disso, a instituição projeta crescimento das exportações de produtos básicos, com destaque para soja, carne bovina e petróleo.
Por outro lado, as importações também devem crescer, sobretudo devido à elevação dos preços dos combustíveis.
Para financiar o déficit externo, o Banco Central estima entrada líquida de US$ 75 bilhões em investimentos diretos no país, acima dos US$ 70 bilhões previstos anteriormente.
Mesmo assim, o relatório reforça que o cenário permanece sujeito a riscos relacionados às consequências do conflito no Oriente Médio.