Foto: João Gabriel
A Prefeitura de Juiz de Fora encaminhou um documento ao governador de Minas Gerais, Mateus Simões de Almeida, com cópia ao secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Faccheretti, para relatar problemas causados pela implantação do sistema “Regulação 4.0”, operado pela Central de Operações para Regulação (CORE/MG).
Segundo o município, a substituição do sistema SUSFácil provocou dificuldades operacionais e assistenciais que passaram a afetar diretamente a rede pública de saúde. Além disso, a Prefeitura afirmou que a situação trouxe risco à continuidade dos atendimentos na rede de urgência e emergência.
Falhas operacionais afetam fluxo de atendimentos
De acordo com o documento, o município identificou instabilidade no funcionamento da regulação assistencial, lentidão operacional, falhas no processamento das informações e dificuldades técnicas para utilização da nova plataforma.
Além disso, a Prefeitura destacou insegurança nos fluxos regulatórios, aumento do tempo de resposta para definição de vagas, comprometimento da rastreabilidade das solicitações de leitos e fragilidade na comunicação entre municípios e unidades hospitalares.
Ainda conforme o relato, as equipes administrativas e assistenciais passaram a enfrentar sobrecarga devido às dificuldades do sistema. Com isso, a administração municipal apontou risco de desassistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Município relata aumento de pacientes levados diretamente aos hospitais
O documento também informou que municípios da região começaram a encaminhar pacientes diretamente para portas de urgência e emergência de Juiz de Fora, sem autorização regulatória prévia e fora dos fluxos pactuados.
Segundo a Prefeitura, ambulâncias e veículos de transporte eletivo passaram a deixar pacientes diretamente nas unidades hospitalares da cidade, o que aumentou a pressão sobre os leitos municipais.
Entre os episódios citados, o município relatou o caso de um paciente de Maripá de Minas deixado na porta do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora, embora o fluxo indicado fosse o encaminhamento para São João Nepomuceno.
Além disso, outro caso envolveu um paciente do município de Bicas deixado diretamente na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora sem regulação prévia adequada.
Superlotação e aumento da pressão sobre a rede
Segundo a Prefeitura, a situação provocou superlotação nas portas hospitalares, aumento no tempo de espera e utilização desordenada dos leitos.
Além disso, o município afirmou que a rede passou a enfrentar dificuldades para manter a capacidade de resposta dos atendimentos, enquanto as equipes médicas, de enfermagem e serviços de apoio sofreram pressão excessiva.
A administração municipal informou ainda que, somente no Hospital de Pronto Socorro de Juiz de Fora, o sistema registrou 93 pacientes nessa situação. Desse total, 37 chegaram por ambulâncias ou veículos de transporte eletivo.
Prefeitura pede medidas ao Governo de Minas
Diante dos impactos relatados, a Prefeitura de Juiz de Fora solicitou ao Governo de Minas Gerais a adoção imediata de medidas corretivas para restabelecer os fluxos regulatórios.
Além disso, o município pediu reforço das orientações aos municípios da macrorregião sobre o cumprimento dos fluxos pactuados, responsabilização administrativa em casos de descumprimento dos protocolos e garantia de estabilidade operacional do sistema.
Por fim, a Prefeitura destacou que Juiz de Fora possui capacidade instalada limitada e afirmou que não consegue absorver demanda regional espontânea e desregulada sem prejuízos à assistência local e macrorregional.